Estranhos tempos de amargura e confusão, em que a finitude do agora se dissolve na infinitude da saudade. Saudade dos que se foram — e serão esquecidos pelo tempo — e do que nunca fomos, acreditando ser.

A verdade é simples e brutal: somos finitude.
Finitude diante da infinitude do tempo. Insignificantes como um grão de areia que insiste em crer-se a praia inteira.
Somos o egocentrismo, a maldade distraída, a covardia banal. Somos também o amor desmedido, as paixões ilusórias e a agonia diante da nossa impotência. Somos a mentira que contamos aos outros — e a nós mesmos — em troca de um simulacro de aprovação.

No fim, somos nada além de carne e ossos, memórias frágeis, desejos breves e vivências que o mundo apagará, como apagou todas as outras.

Somos a tristeza inconsolável de uma vida que, inevitavelmente, se desfará.

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