Hoje acordei pouco depois do Sol nascer. Tive certa dificuldade para dormir, mas por bom motivo. Desde cedo, hoje foi um dia de muita reflexão. Todos os sentimentos que coloquei para fora ontem são muito genuínos e eu realmente estou feliz com essa minha versão atual. Tenho pela frente muitos desafios que com fé, foco e transparência, serão vencidos para que minha vida possa seguir em frente.

No treino com o meu Sifu, na praça onde só treinamos nós dois, consegui entrar em transe de novo com exercícios de QiQong (ou Chi Kung) e tive uma performance muito acima da média. Me aprofundei no estudo da espada (Dao) e na continuação do bastão (Quan) contra Sansetsukon , além de treino de flexibilidade, força e porradaria das brabas. A espada merece um texto a parte, talvez uma reflexão que eu faça para não entrar no diário.
Senti meu Sifu meio ansioso, como quem tinha algo para compartilhar, e eu também tinha. Do meu lado, falei da minha movimentação para separar da Alê, e conversamos sobre a perda do bebê. Eu não precisei falar muito sobre as minha motivações. No primeiro hiato ele falou a real:
“Você está começando a ser você agora. Eu vejo nos treinos a sua evolução como ser humano, eu sinto que você vibra, mas está amarrado, impedido de dar o seu melhor. E a Alê, infelizmente, não faz questão do seu melhor. Não motivo o seu melhor. Torna a sua experiência no que quer que você se dedique ainda mais difícil e desafiadora pq você enfrenta resistência dentro de onde devia ser fortaleza”.

Ele tem razão em cada palavra e esse é o sentimento: é como se eu tivesse tomado a pílula vermelha e acordado em uma realidade que eu não via. Ele continuou: “No Rio, quando comentei com o Marcelo sobre sua perda, ele disse que há situações que acontecem para que possamos ter outras resoluções” – e ficou muito claro que ele falava do meu casamento. Todas essas pessoas se sentiram desconfortáveis em algum momento com alguma atitude da Alê. O Guina por ter falado repetidas vezes para ela se cuidar. O Marcelo por ela não ter feito questão nenhuma de ficar na sala conosco quando eles vieram me visitar ao saber do cancer da minha mãe.
Pode parecer uma visão enviesada – e pode até ser – mas esses homens me conhecem bem. Já lutaram comigo olhando nos olhos e sabem quem eu sou por atitudes.

Depois de falarmos de mim, o Guina me mandou uma bomba que ainda não consegui digerir: Ele está com pressão alta – o que é compreensível para um cara de 50 anos – e que ele me escolheu para passar tudo o que ele sabe. Isso é uma honra e um fardo gigantescos, pois ele sabe MUITO, conhece MUITO e dedicou a vida dele inteira para viver isso. Nosso tempo juntos talvez seja curto para eu receber tudo, mas vou me dedicar ao máximo para faze-lo. Percebi que ele está cansado, e que eu talvez seja a única esperança de uma geração que se perdeu no tempo entre dancinhas do tik tok e admirar a vida alheia. Durante o treino, mesmo antes de falar, percebi que ele estava mais cansado que o normal mesmo. Me peguei pensando nisso a tarde toda, principalmente enquanto assistia um desenho justamente sobre um samurai negro e cansado. Essa pauta ainda vai ser carregada.

Mudando um pouco de assunto, estou me sentindo desmotivado para os estudos – talvez porque tenha vivido o trabalho tão arduamente nos últimos 5, 6 anos, talvez porque quero resolver minha vida para realmente mergulhar de cabeça. Eu tenho as metas, mas não tenho conseguido me concentrar direito e isto tem me incomodado bastante. Tenho uma apresentação para fazer para o Trivago, mas honestamente estou 0 afim de criar Power Point.

Enfim, um momento interessante que não caberia tudo em um post só. Vamos esperar como as coisas desenrolam.

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